Castro Soromenho

03/01/2014

Ana Lúcia Lopes de Sá – A ruralidade na narrativa angolana do século XX

“A literatura é um dos meios de representação da nação, desempenhando um papel central na ilustração do percurso histórico da sociedade que pressupõe ilustrar. No contexto angolano, o conceito de nação envolve problemáticas identitárias dependentes de formulações nacionalistas operadas antes e após a independência, condensadas na necessidade de criar discursivamente o referente ‘Angola’. A tendência dominante da narrativa angolana privilegia o ambiente urbano, mormente luandense, como cenário espacial, cultural e social. Mas dos romances angolanos publicados durante o século XX, até ao fim da guerra civil, extrai-se um corpus de obras centradas no universo rural, de modo a reflectir sobre o modo como o discurso moderno a cargo de intelectuais produtores de alta cultura valoriza ou negligencia o rural.”
A tese de doutoramento de Ana Lúcia Lopes de Sá – orientada por José Carlos Venâncio e co-orientada por Salvato Trigo – está disponível no sítio do Prof. Adelino Torres (aqui).
O sítio do professor cumpre o importante objetivo de “[p]ôr ao alcance imediato dos estudantes e professores textos e ilustrações que, em vários domínios, se encontram espalhados pela Internet ou que são de difícil acesso; Divulgar trabalhos inéditos ou pouco conhecidos de investigadores portugueses e estrangeiros; Conjugar vertentes diversificadas do conhecimento, tanto no domínio das Ciências Sociais e Humanas como noutros campos científicos e culturais. Promover trabalhos de estudantes (teses, outros textos, imagens, grafismos, etc.)”.

Ana Rita Veleda Oliveira – Terra Morta: um contributo para a história do trabalho colonial

“Terra Morta é um romance de Castro Soromenho, proibido em Portugal
pela censura do Estado Novo e publicado no Rio de Janeiro, em1949.
Neorrealista, a obra retrata a vila de Camaxilo, locus horrendus no Nordeste
de Angola, na época colonial. Inúmeras personagens, colonizadores
e colonizados, homens e mulheres, interagem no enredo, pela voz do
narrador, como se fossem actores históricos, úteis para pensar o Terceiro
Império Português. As minas da Diamang e os cânticos dos trabalhadores
contratados fazem parte do cenário, sendo, também, a obra um contributo
importante para a história do trabalho colonial. O autor deixa uma
mensagem não só de opressão, materializada em Camuari, a máscara da
morte, como de luta contra esta, contada e cantada em outras histórias de
resistência à violência colonial.”

O trabalho de Ana Rita Veleda Oliveira está disponível na revista Ubiletras, do departamento de letras da Universidade da Beira Interior (aqui).

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