Castro Soromenho

06/07/2019

Susana Pimenta e Orquídea Ribeiro – O sujeito pós-colonial em Castro Soromenho, Luandino Vieira e Mia Couto

“Partindo da teoria apresentada por Hommi Bhabha acerca do sujeito pós-colonial, do sujeito in-between ou intersticial, reflete-se acerca da ideia de pós-colonialidade e da representação ou ressonância desta em Castro Soromenho, Luandino Vieira e Mia Couto. Os textos analisados tendem a afastar-se de um lugar histórico-cultural intersticial, algures entre as experiências colonial e pós-colonial (Soromenho e Vieira) e a refletir as experiências pós-coloniais dos sujeitos. O termo ‘pós-colonial’ não reúne consenso, sendo que a maioria dos críticos entende o período pós-independência como sendo ‘pós-colonial’, o que não reflete a realidade dos países africanos de língua portuguesa. O texto escrito foi o meio usado por alguns autores durante a época colonial para afirmar a identidade cultural do povo. A resistência cultural é visível em alguns textos produzidos durante o colonialismo que mostram formas de desafiar o colonizador, como os de Luandino Vieira. Mia Couto afirmou-se como escritor só no período pós-independência, mas alguns dos seus personagens identificam-se como sujeitos pós-coloniais, como é o caso de Bartolomeu em Venenos de Deus, Remédios do Diabo.”

O ensaio foi publicado em Mosaicos Culturais I – Olhares e Perspetivas, (aqui), Fernando Moreira e Orquídea Ribeiro, (editores). Agradeço a Vergílio Deniz Frutuoso a indicação do trabalho.

 

Susana Pimenta, do Centro de Estudos em Letras, CEL da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, UTAD, é autora do livro Dinâmicas Coloniais e Pós-Coloniais
Os casos de Reis Ventura, Guilhermina de Azevedo e Castro Soromenho,  Edições Humus, março de 2019, à venda na Wook.pt (aqui).

 

 

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07/02/2019

Emanoeli Ballin Picolotto e Ana Paula Teixeira Porto – Viragem de Castro Soromenho: diálogos entre literatura e história de Angola

“A literatura de Angola é marcada por escritores que representam o universo africano, Castro Soromenho,
em Viragem, apresenta uma obra que permite ao leitor estabelecer diálogos entre literatura e história. O
objetivo da pesquisa é discorrer como o texto literário, relaciona-se com a história recente de Angola. O
estudo é feito através de análises e interpretações da obra, baseando-se em pesquisas bibliográficas
acerca da literatura africana de expressão portuguesa. Os resultados mostram que o livro do escritor
moçambicano, a partir de uma narrativa linear e de prosa poética, representa também a história recente
do país.”

 

O artigo está disponível na Revista de Letras Dom Aberto (aqui).

13/03/2018

Diário de Lisboa, 1975: Manuel Ferreira ministra curso de literatura africana de expressão portuguesa

Em 6 de março de 1975, no Diário de Lisboa.

” ‘Literatura africana de expressão portuguesa’ é a cadeira do curso de Românicas que o escritor Manuel Ferreira ministra, agora, como professor contratado, na Faculdade de Letras de Lisboa. O conhecido autor de ‘Hora di Bai’, finalmente desligado das funções militares que lhe ocupavam grande parte do tempo, pode agora dedicar-se às tarefas em que, sem sombra de dúvida, nos parece mais útil ao País: escrever e ensinar.”

O artigo pode ser lido no Diário de Lisboa, Casa Comum, Fundação Mário Soares.

 

 

09/03/2018

Ana Paula Teixeira Porto – Cultura e literatura africana de Angola: diálogos ininterruptos

O artigo foi publicado na revista Prâksis, v. 1, 2015..

RESUMO
Este estudo apresenta reflexões acerca dos diálogos entre literatura angolana e cultura, objetivando mostrar
como obras de autores como Manuel dos Santos Lima e Castro Soromenho realizam esse diálogo. A função
dada pelos escritores e intelectuais angolanos à literatura é a de um instrumento de registro histórico e
linguístico e de perpetuação cultural do país, para além de denúncia e contestação de regimes de opressão
vivenciados nesse espaço.
Palavras-chave: Literatura angolana. Cultura. Manuel dos Santos Lima. Castro Soromenho

25/02/2018

Susana Maria Santos Martins – Exilados portugueses em Argel

Resumo:

“O estudo arranca em 1958, no rescaldo das eleições presidenciais, quando se
iniciam as movimentações oposicionistas que visam a criação de uma forte organização
unitária capaz de dar continuidade ao enorme entusiasmo popular que pautara toda a
campanha presidencial, em especial em torno da candidatura de Humberto Delgado.
A saída para o exílio de um conjunto de quadros democratas diretamente
empenhados neste processo, dinamiza a oposição no exterior e dá-lhe um progressivo
protagonismo, sobretudo a partir de 1961. A partir de então a diáspora política
portuguesa deixa de ser encarada como mero apêndice logístico do interior e reassumese
como um centro próprio de luta política. […]”

A tese de doutoramento está disponível em Pdf na rede (aqui).

14/11/2017

Francisco M. A. Soares – As duas fases e as duas faces de Castro Soromenho

Trecho:

“[…] em A chaga parece que, de facto, as personagens locais, não coloniais, são remetidas para o “pano de fundo” da História e perdem qualquer densidade psicológica. Porém, repare-se no princípio e no fim do livro. Há um homem, africano, que, de cima, olha o pequeno núcleo colonial continuamente e com mágoa. O principal colono da estória e dali roubou-lhe as terras. O fecho do romance pertence, também, ao colonizado e nos dá, em poucas frases, toda a complexa realidade psicológica da situação colonial na mente dos colonizados. É como se toda a estória fosse vista e supervisionada pelo africano refratário a tal mundo, como se tivesse estado sempre ali a ver a estória desenrolar-se, preparado para o seu fecho. Insuperável esse fecho, verdadeira chave de ouro, em breves e densas palavras nos fornece a chave da narrativa e a justificação do próprio título.”

O artigo pode ser lido no blog A Ruga e a Mão (aqui).

04/10/2017

Sócrates Dáskalos – Um testemunho para a História de Angola

Trecho:

“Agora sentíamo-nos de facto em liberdade e emocionados com a perspectiva de
conhecer Paris.
Chegados aqui e cumprindo todas as regras para evitar encontros desagradáveis,
aportámos enfim em casa do Castro Soromenho cuja morada sabíamos de cor.
Foi uma alegria conhecer o Castro Soromenho, um mais velho cuja vida em Paris não
era fácil, que nos encorajou e encaminhou para o então primeiro e único embaixador de
Angola na Europa, o inesquecível Câmara Pires, inesquecível para todos os angolanos
que naquela época procuravam no exílio a única possibilidade de sobreviver
continuando a consagrar-se à luta pela libertação da sua terra.
Naquela altura eu já era quarentão mas senti inveja de um Câmara Pires que já
teria os sessenta e tais e parecia comportar-se como um jovem, sacrificava-se como um
jovem sabendo previamente que não iria beneficiar da sua dedicação e sacrifício.
Câmara Pires era um homem fora de série, um africano mestiço, muito culto,
habituado ao convívio com a grande burguesia europeia, que cultivava a ironia, sabia
ser severo quando necessário e sabia atender a juventude negra, branca ou mestiça,
todos “revolucionários” que chegava a Paris e precisava do apoio do “embaixador” da
rua Hypollite Mandron n.º 7. Resumindo, era um homem vivido, generoso sem ser
ingénuo, que sentia o momento que passava de grandes transformações em África e na
sua terra
Na sua casa de Paris arranjava-se sempre comida e dormida nas grandes aflições.
O Câmara não era comunista nem socialista declarado, mas era um homem aberto às
ideias de esquerda e como tinha boas relações em Paris safava muita gente de problemas
delicados.”

O livro, com prefácio de Manuel Rui e preâmbulo de Adelino Torres, está disponível em pdf no Adelinotorres.info (aqui).

12/09/2017

Thiago Mio Salla – Graciliano Ramos do outro lado do Atlântico

Graciliano Ramos do outro lado do Atlântico: a difusão e a recepção da obra do autor de Vidas Secas em Portugal entre as décadas de 1930 e 1950. 

Resumo:

“O presente trabalho tem como objetivo estudar as diferentes facetas da recepção e da divulgação da obra de Graciliano Ramos em Portugal ao longo dos anos de 1930, 1940 e 1950. Trata-se de um período marcado, entre outros aspectos, 1) pela ampliação, em termos editoriais, da indústria do livro brasileira, o que teria dado início a um processo de inversão de influência tipográfica entre Portugal e Brasil; 2) pela emergência, no âmbito artístico, do neorrealismo luso e pela singular presença da literatura brasileira em terras portuguesas; 3) e, em termos políticos e culturais, pelo esforço de aproximação formal entre os governos de Getúlio e Salazar. Com ênfase nas dimensões jornalística, epistolar e editorial relativas à chegada e à ressonância de Graciliano em Portugal, procurou-se observar como, para além de leituras e apropriações neorrealistas, presencistas e estadonovistas, as produções do autor alagoano se firmaram no panorama cultural português e consolidaram seu nome como um dos principais prosadores de nosso idioma.”

A tese de doutorado de Thiago Mio Salla, orientada por Paulo Fernando da Motta de Oliveira, recebeu Menção Honrosa no Prêmio Tese Destaque USP 2017.

(http://www.prpg.usp.br/index.php/pt-br/noticias/4444-resultado-do-premio-tese-destaque-usp-2017).

 

O texto completo na Biblioteca Digital USP: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8156/tde-17082016-122106/pt-br.php .

 

Para os pesquisadores interessados em Castro Soromenho, a tese aborda um aspecto pouco investigado das atividades do escritor: o papel de Castro Soromenho na divulgação e tentativa de publicação em Portugal da obra de Graciliano e outros escritores brasileiros.

Thiago Mio Salla organizou, com Ieda Lebensztayn, o livro Conversas – Graciliano Ramos.

 

 

14/02/2017

Stella Saés – Chinua Achebe e Castro Soromenho: compromisso político e consciência histórica em perspectivas literárias (dissertação)

“Resumo em português
No exercício de comparativismo literário entre as obras Things fall apart, do escritor nigeriano Chinua Achebe (1958), e Terra morta, do angolano Castro Soromenho (1949), é possível estabelecer aproximações e distanciamentos que dialogam entre si e podem trazer reflexões relevantes para o estudo das literaturas africanas. Enquanto a primeira oferece uma visão inédita a respeito do funcionamento interno da sociedade Ibo na Nigéria diante da situação colonial, a segunda transparece as frágeis relações dos colonos portugueses nas instituições políticas, econômicas e sociais do império na região da Lunda em Angola. Já por esse aspecto, os romances convergem para um panorama em comum ao apresentarem tanto o colonizado em Things fall apart quanto o colonizador em Terra morta de maneira distante dos estereótipos retratados pelas figuras coloniais, justamente por problematizarem questões internas e clivagens sociais e históricas. Assim, ao evidenciaram as fraturas internas, contribuem com a crítica sobre o sistema colonial ao mesmo tempo em que ajudam a construir outras visões históricas sobre o tema. Desse modo, as duas obras distanciam-se abertamente quanto aos contextos coloniais, que exigem, diante de uma leitura comparativa, um arcabouço teórico-crítico múltiplo que abarque as diferenças existentes nas dinâmicas coloniais e em seus contextos africanos específicos. O fato de os dois romances trazerem à cena regiões específicas na Nigéria habitada pelo povo Ibo e em Angola determinada como o espaço Lunda – e apresentarem uma multiplicidade de questões étnicas, raciais, sociais e identitárias, acaba distanciando os dois livros em perspectiva comparatista. Em termos aproximativos, no entanto, a problematização dos espaços e personagens retratados nas narrativas e a figura do narrador que assume posições políticas que se aproximam da categoria do autor implícito (BOOTH, 1983), permitem também uma leitura analítico-comparativa entre os romances. Se, por um lado, os contextos sociais e históricos distanciam os escritores e seus produtos literários; os romances se aproximam não apenas pelas categorias narrativas de personagens e espaço, mas também pela posição político-ideológica assumida por seus narradores. A consciência histórica e o compromisso político diante dos fatos narrados estão presentes na representação literária como uma tentativa de entender o funcionamento e apresentar uma crítica aos diferentes processos coloniais.”

29/08/2016

Stela Saes – Chinua Achebe e Castro Soromenho: compromisso político e consciência histórica em perspectivas literárias

Resumo: As obras Things fall apart, do escritor nigeriano Chinua Achebe (1958), e Terra morta, do angolano Castro Soromenho (1949), compõem o início de duas trilogias conhecidas como fundadoras das literaturas de seus países. Enquanto a primeira oferece uma visão inédita a respeito do funcionamento da sociedade Ibo na Nigéria sobre as questões coloniais, a segunda transparece as frágeis relações coloniais dos portugueses nas instituições políticos, econômicas e sociais do império na região de Lunda em Angola. O que aproxima os dois romances é o fato de seus narradores – assim como seus autores – não idealizarem as sociedades retratadas, sejam elas oprimidas ou opressoras. A consciência histórica e o compromisso político diante dos fatos narrados estão presentes na representação literária como uma tentativa de entender o funcionamento e, aí sim, apresentar a crítica aos diferentes processos coloniais. A narrativa, portanto, carrega, em certa medida, a vivência e a consciência política de seus autores que, compromissados com a realidade de seus países, buscaram entender a história e desmitificar as relações sociais.

O artigo está disponível nos anais do XIV Congresso Internacional da Abralic.

A autora defenderá a dissertação na USP.

Data: 19/09/2016 – 14:00

  1. Candidato: Stela Saes
    Título: Chinua Achebe e Castro Soromenho: compromisso político e consciência histórica em perspectivas literárias

    Programa: Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa

    Nivel: Mestrado
    Orientador: Profa. Dra. Rejane Vecchia da Rocha e Silva
    Banca: Profs. Drs. Vima Lia de Rossi Martin (FFLCH – USP) e Marcia Valéria Zamboni Gobbi (UNESP)
    Local: Rua do Lago, 717 CEP: 05508-080 – Cidade Universitária São Paulo – SP / Brasil
    Sala: Eventos(nº 124). Capacidade: 30 pessoas

 

23/12/2015

Ivo Ferreira – Terra Morta: Colonização, poder e raça na narrativa de Soromenho

“Observemos a construção simbólica, na obra de Soromenho, ao colocar o colonizador como nomeador do colonizado e essa nomeação se dá de forma negativa através da animalização do colonizado na figura da subserviência canina e da repugnância do roedor. Algo que é reproduzido por outros colonizados (o cozinheiro Cebola, os sipaios e os outros empregados), normalizando a inferioridade dos iguais e fixando uma construção mental dessa inferioridade, criando, assim, redes de poder permeando todo o corpo social subdividindo-se em micro-poderes, extensos às instituições que formam os hábitos, discursos e mentalidades. Apesar de Terra Morta não carregar em suas páginas sequer menções ao papel da igreja católica na implantação da base ideológica da colonização angolana, em contrapartida, abusa da exposição da validação da superioridade branca sendo implantada no imaginário dos nativos. Essa se dá através, principalmente da desvalorização de imagem e cultura da população local. O colonizador não só nomeia o colonizado como ainda impede-o de ter voz. Essa dicotomia branco, colonizador, “superior” X negro, colonizado, “inferior”, que marca o lugar social de cada um, apresenta-se diversas vezes nas páginas de Terra Morta. O autor deixa nas entrelinhas essa situação como algo que vai fixando-se no imaginário local de ambas as partes.”

O trabalho está no II Xirê das Letras em Pdf.

05/12/2015

Barbara Leß-Correia Mesquita: ANGOLA ENTDECKEN!

 

 

 

Angola Entdecken1Angola Entdecken2

27/08/2015

Jaime Nogueira Pinto – Os tristes trópicos de Castro Soromenho

“A ‘terra morta’ do Camaxilo é um destes recantos dos ‘tristes trópicos’ portugueses: a terra pequena, os velhos colonos desiludidos e falhados que vão definhando e morrendo na nostalgia dos áureos tempos da borracha, entre filhos mulatos e mães negras; os administrativos, ‘os brancos do Governo’, partilhando arrogâncias, invejas, sentimentos e ressentimentos, reproduzindo em terra africana as grandezas e misérias da burocracia nacional; os sipaios, os locais que servem a ordem e a lei dos ‘brancos do Governo’, impondo essa lei e essa ordem aos seus irmãos de pele com berros e palmatoadas […]”

 

O artigo foi publicado no Jornal Sol.

04/06/2015

José Augusto França – Castro Soromenho: nota brevíssima à sua memória

“Castro Soromenho representa, na literatura contemporânea portuguesa, um caso único, em sua temática africana, pelo valor romanesco e pela situação ideológica de sua obra. Assim diria, como diz, qualquer história da literatura.

Mas esta África, ou esta Angola, ou esta Lunda, que nela se identifica, tem uma dupla máscara, do viver nativo e do viver colonizador […]”

Pdf: África: Revista do Centro de Estudos Africanos, USP, 11(1): 3-4, 1988.

Gerald Moser – Interlúdio norteamericano – 1960/1961.

“RESUMO: A vida e a obra de Castro Soromenho no decorrer da sua estada, como professor, na Universidade de Wisconsin (dezembro de 1960 a junho de 1961), através do depoimento de amigos e da viúva, Dona Mercedes, como elementos significativos para traçar a personalidade do escritor, são o fulcro central desta comunicação.”

 

Pdf: África: Revista do Centro de Estudos Africanos, USP, 11(1), 37-43, 1988.

Celso José Loge – Castro Soromenho e a realidade africana

“[…] o que nesses livros é tratado não poderia ser expresso – digamos, com as mesma dimensões – pela reportagem? Neles foram levantados e resolvidos problemas no plano próprio da arte, ou, pelo contrário, no da sociologia?

O nosso objetivo contudo, não é responder a essa problemática concernente à filosofia da arte, mas tentar captar os elementos da resposta contidos na situação do autor diante dessa questão.

[…]

O ideal estético está socialmente condicionado, é histórico porque depende das relações econômicas e sociais, das concepções políticas, das idéias morais, etc. Posto que as condições de vida e as idéias dos homens são diferentes, também mudam os ideais estéticos e mudam com o desenvolvimento da sociedade, também mudam os ideais estéticos, isto é, o critério para valorizar esteticamente os fenômenos da realidade e as obras de arte.

Georg Lukács afirmou que ‘em arte, quando se tem algo a dizer é preciso encontrar a forma conveniente para fazê-lo. Neste ponto sou conservador’.

Castro Soromenho tem algo a dizer. Tem uma questão ‘razoável a colocar’ […] E é a própria ‘questão razoável’, ou seja, a realidade africana que fornece ao autor a forma adequada para se expressar. Uma linguagem seca, agressiva, dura, áspera como a própria África.”

Pdf: África: Revista do Centro de Estudos Africanos da USP, 1 (1), 27-40, 1978.

Manuel dos Santos Lima – Evocação de Castro Soromenho

“Há uma rua em S. Paulo e outra em Cascais, a lembrar-nos Castro Soromenho. Dir-se-ia ontem e já lá vão vinte anos que o perdemos. Foi-se o amigo, permanece o escritor no seu posto de grande solitário. E isto poque ao fim e ao cabo Soromenho continua ainda a ser um autor de dois mundos […]”

 

Pdf: África: Revista do Centro de Estudos Africanos, USP, 11(1): 5-7, 1988.

Laura Cavalcanti Padilha – Um pacto de amizade: a tradição oral revisitada

“RESUMO: Tradição oral, narração e narrador e suas leituras na primeira fase da obra de Castro Soromenho constituem o eixo central do texto. A intenção literária do autor e a solução estética do texto são postas em relevo face à oralidade.”

Pdf: África: Revista do Centro de Estudos Africanos, USP, 11(1): 9-20, 1988.

Carlos Alberto Iannone – Aspectos da descrição de personagens na trilogia de Camaxilo

“RESUMO: O papel dos personagens na segunda fase da obra de Castro Soromenho e as várias leituras possíveis na perspectiva das fases existenciais desses personagens constituem o eixo da caracterização a partir de sua descrição.”

 

Pdf: África: Revista do Centro de Estudos Africanos, USP, 11(1) 21-30, 1988.

José Carlos Venâncio – Uma abordagem (possível e etnológica) do texto literário escrito

“RESUMO: A partir de uma revisão teórica de alguns textos relativos às possíveis leituras do texto literário escrito, o autor, a título de exemplo, utiliza trechos da obra do poeta angolano José da Silva Maia Ferreira e do romancista Castro Soromenho para exemplificar sua hipótese relativa a uma leitura ideológica.”

Pdf: África: Revista do Centro de Estudos Africanos, USP, 11(1), 137-142, 1988.

Fernando A. A. Mourão, Claudio A. Furtado e Francisco Valente – Bibliografia sobre Fernando Monteiro de Castro Soromenho

Neste e nos próximos sete posts, relacionamos trabalhos publicados sobre Castro Soromenho na revista África do Centro de Estudos Africanos da USP. Iniciamos com uma bibliografia que se tornou obra de referência obrigatória para os estudos a respeito do escritor.

Pdf: África: Revista do Centro de Estudos Africanos, USP, 11(1), 165-186, 1988.

03/06/2015

Alexandre Pinheiro Torres – Propedêutica à “Trilogia de Camaxilo”, de Castro Soromenho

“Ultrapassada a fase de estudo do Negro, praticamente fora do contacto do Branco, com o objectivo de revelar valores humanos, sociais e culturais que lhe são específicos, demitindo pois, na esteira de Frobenius, a pressuposição de que o indígena africano nada mais seria que um macaco superior excelentemente dotado, fase que vai de Nhári, 1938, até Calenga, 1945, passando por Noite de Angústia, 1939, Homens sem Caminho, 1942, e Rajada e Outras Histórias, 1943, Castro Soromenho (1910-1968), nascido em Chinde, Moçambique, mas tendo vivido longos anos no Nordeste de Angola, havia de completar com Terra Morta, 1949, Viragem, 1957, e A Chaga, 1970, aquilo a que me permito denominar de Trilogia de Camaxilo.”

 

O clássico artigo de Alexandre Pinheiro Torres, publicado na Colóquio – Letras, n. 39, setembro de 1977, da Fundação Calouste Gulbenkian, está disponível no sítio da revista (aqui).

 

19/12/2014

Danièle Jay: correção.

Percebemos que o pdf do trabalho de Danièle Jay, “Angola”, estava danificado (as últimas páginas estavam em branco). Colocamos o arquivo correto no post (e aqui).

05/12/2014

Regina Célia Fortuna do Vale – Poder colonial e literatura: as veredas da colonização portuguesa na ficção de Castro Soromenho e Orlando Costa.

“Este trabalho versa sobre os romances A Chaga (1970), do autor angolano Fernando Monteiro de Castro Soromenho, nascido na Vila de Chinde (Zambézia – Moçambique), e O Último Olhar de Manú Miranda (2000), do autor goês Orlando da Costa, nascido em Lourenço Marques, hoje Maputo (Moçambique). A nossa proposta de análise comparada parte do pressuposto de que essas duas criações literárias do passado histórico recente, de Angola (Camaxilo) e Goa (Margão) — na situação de ex-colônias portuguesas — apontam a perspectivas confluentes, conforme a visão crítica da história que aqui se tentou estabelecer. Buscamos levar em consideração a imprescindível relação dialética que mantêm entre si arte e sociedade. Constata-se a identificação desses respectivos romances com os pressupostos indicados por poéticas distintas, como o Neo-Realismo e o Realismo”

 

A tese, orientada pelo Prof. Carlos Moreira Henriques Serrano, está disponível em Pdf na Biblioteca Digital da USP.

Lisiane Pinto dos Santos – Relações de trabalho em Terras do Sem Fim, Gaibéus e Terra Morta: universos que se tocam

A tese, apresentada à Universidade Federal do Grande do Sul, teve “… por objetivo examinar as relações de trabalho em contextos específicos, através de três obras representativas, à luz das questões estético-ideológicas do Romance de 30 brasileiro, do Neo-Realismo português e do Neo-Realismo angolano. Para tanto, foram escolhidos os romances Terras do Sem Fim, de Jorge Amado; Gaibéus, de Alves Redol; e Terra Morta, de Castro Soromenho, enfocando a representação do trabalho e do trabalhador.”

 

O trabalho, orientado pela Profa. Dra. Jane Fraga Tutikian, está disponível no Repositório Digital da UFRGS em Pdf.

 

04/12/2014

Donizeth Aparecido dos Santos – Representações da Mãe-África na literatura angolana

“Este artigo apresenta três tipos de representações da Mãe-África na literatura angolana. Esse símbolo a que recorreram poetas e ficcionistas angolanos como um meio de afirmação cultural, racial, social e política frente à colonização portuguesa no período de descolonização apresenta-se sob as formas de mãe biológica, simbolizando a terra, a nação e o continente africano; como pátria angolana, constituída por características femininas e maternas; e como o continente africano dotado de caráter materno, representando a progenitora da raça negra.”

 

O artigo publicado no sítio da revista Trama, da Unioeste, está disponível  aqui

Felipe Diego da Silva – Trilogia do Camaxilo: ilusões identitárias em uma terra morta

A monografia, apresentada no Instituto de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, “…busca tratar da questão identitária na Trilogia do Camaxilo de Castro Soromenho. Nela há a representação da sociedade colonial, onde o colonizador europeu e o nativo africano vivem na mesma terra, mas com fronteiras fortemente demarcadas entre eles. Essa demarcação, feita basicamente pela cor da pele, gera conflitos culturais que refletirão na identidade dos envolvidos na sociedade colonial”.

 

O trabalho está disponível em Pdf.

08/07/2014

Claudia Maira Silva de Oliveira e Ana Paula Teixeira Porto – Representação de Angola a partir da narrativa literária de Castro Soromenho

“O artigo pretende analisar o romance Terra Morta, de Castro Soromenho, a fim de identificar quais as
temáticas presentes na obra, além disso, verificar como a literatura africana de expressão portuguesa se
desenrola e qual o seu objetivo, também de que ponto de vista se apresenta o nativo e o português. A
partir de leituras teóricas sobre a literatura angolana e o romance em estudo, chegou-se à conclusão de
que Soromenho se utiliza de uma literatura informativa, de cunho realista para representar a
problemática colonial angolana, salientando como o povo colonizado e os colonizadores desencadearam
um processo de aculturação portuguesa em Angola. O romance evidencia a exploração portuguesa sobre o
nativo angolano, as marcas de escravidão, violência e de superioridade.”

 

O artigo está disponível na Revista de Letras Dom Aberto (aqui).

24/04/2014

Rodrigo Vaz – Castro Soromenho escritor africano

No sítio “Cultura – jornal angolano de artes e letras“,  a reprodução da Comunicação lida no III Encontro de Escritores Moçambicanos na Diáspora, na Casa de Goa, em Lisboa, em 16 de Setembro de 2010.

De vários modos esta síntese que carregava com ele virá a determinar a sua vida e a sua obra, à medida que foi tomando consciência da situação das gentes nos países por onde foi passando.”

 

04/03/2014

Adolfo Casais Monteiro – Castro Soromenho

Dois meses após a morte de Castro Soromenho, Adolfo Casais Monteiro publicou o artigo que apresentamos abaixo no Boletim Cadeira de Política da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara (em pdf Casais Monteiro: “Castro Soromenho”).

Casais Monteiro Capa

Casais Monteiro pg 61

03/01/2014

Ana Rita Veleda Oliveira – Terra Morta: um contributo para a história do trabalho colonial

“Terra Morta é um romance de Castro Soromenho, proibido em Portugal
pela censura do Estado Novo e publicado no Rio de Janeiro, em1949.
Neorrealista, a obra retrata a vila de Camaxilo, locus horrendus no Nordeste
de Angola, na época colonial. Inúmeras personagens, colonizadores
e colonizados, homens e mulheres, interagem no enredo, pela voz do
narrador, como se fossem actores históricos, úteis para pensar o Terceiro
Império Português. As minas da Diamang e os cânticos dos trabalhadores
contratados fazem parte do cenário, sendo, também, a obra um contributo
importante para a história do trabalho colonial. O autor deixa uma
mensagem não só de opressão, materializada em Camuari, a máscara da
morte, como de luta contra esta, contada e cantada em outras histórias de
resistência à violência colonial.”

O trabalho de Ana Rita Veleda Oliveira está disponível na revista Ubiletras, do departamento de letras da Universidade da Beira Interior (aqui).

14/11/2012

Ana Lúcia Sá – Polaridades expoliadoras: La escritura sobre la colonización del cuerpo

“Este texto tiene como objetivo analizar la representación del cuerpo como una construcción verbal en tres novelas del escritor Castro Soromenho (A Chaga, Terra Morta y Viragem) que relatan el sistema colonial portugués en Angola durante el Estado Nuevo, bajo los regímenes de la asimilación y del trabajo forzado. Los cuerpos de los colonizados se representan socialmente como productos para ser utilizados, transformados y negados, constituyendo estos tres elementos procesos utilitarios e imaginarios basados en el concepto de «raza». En los textos seleccionados, se presentan las estrategias de desvalorización del ser humano a través de procesos simbólicos y escritos de deformación y despersonalización bajo la maquinaria colonial, como un sistema controlador del cuerpo y de las identidades.”

O artigo está disponível na Revista de Dialectología y Tradiciones Populares, vol. LXVII, n. 1, pp. 297-318, enero-junio 2012 (aqui).

14/04/2012

Roger Bastide e a literatura – Gloria Carneiro do Amaral

A Edusp publica Navette Literária França – Brasil,  fruto de longa pesquisa realizada pela Professora Gloria Carneiro do Amaral. No primeiro volume, o ensaio da professora sobre a crítica de Bastide; no segundo, as traduções de mais de duzentos artigos e ensaios escritos por Bastide entre 1920 e 1974.

Sobre Castro Soromenho, a obra reúne o “Prefácio a Camaxilo” (1955) e o ensaio “A África na obra de Castro Soromenho  (1960)  [ traduções de Regina Salgado Campos].

10/03/2012

Susan A. de Oliveira – Terra Morta: perspectivas da historiografia literária e da história social de Angola

 “O trabalho visa apresentar a obra “Terra Morta”, de Castro Soromenho, escrita em 1949, como marco da historiografia literária angolana do inicio do século XX, diferenciando-se da literatura colonial, e especialmente influenciada pelo neorrealismo português e pelo regionalismo brasileiro, inovando seja pela estrutura narrativa, pela complexidade e hibridez dos personagens ou pelo uso do duplo código português- quimbundo. Pretende-se também mostrá-la como um registro pioneiro da sociedade da época, visto que revela de modo ímpar o contexto econômico da decadência do ciclo da borracha (1879-1920) e o perfil da migração e da colonização portuguesa em Angola naquele período, bem como o início da exploração das minas de diamantes.”

O artigo da Professora Susan A. de Oliveira está disponível em pdf nos Anais do I Seminário Internacional História do Tempo Presente.

25/09/2011

O Diário de Lisboa na morte de Castro Soromenho

Castro Soromenho morreu em 18 de junho de 1968, no exílio, em São Paulo, Brasil. No dia quatro do mês seguinte, o Suplemento Literário do Diário de Lisboa (n. 518/4) publicou quatro artigos sobre o escritor: “Um homem de perfil”, por José Cardoso Pires; “O primeiro romancista de temas africanos”, por Manuel Ferreira; “Um edifício admirável”, por Roger Bastide; e “Na morte de Castro Soromenho”, por José Augusto França.

Os artigos estão disponíveis no Diário de Lisboa, Casa Comum, Fundação Mário Soares. Agradecemos a Vergilio Deniz Frutuoso a indicação do sítio.

Manuel da Fonseca, Joaquim Figueiredo Magalhães, Cardoso Pires e Castro Soromenho 1959/60.

Castro Soromenho, Le Havre, 1965, antes da partida para o Brasil.

Jantar em homenagem ao Prof. Vieira da Almeida. Na parte de cima: 2. José Augusto França; 3. Fernanda França; 4. Castro Soromenho; 5. Mercedes de la Cuesta; 7. Mário Soares.

Provavelmente, a última foto de Castro Soromenho, com Jacques Kotsky e Maria Amélia Padez.

24/09/2011

José Augusto França: Terra Morta de Castro Soromenho – edição e reedição

 “É um romance de há trinta anos que não envelheceu. Ela fala-nos duma experiência angolana, que foi a da juventude do Autor, e dum colonialismo triste e pobre, que foi o nosso. Ao cabo dele, o romance aparece em Portugal, ao mesmo tempo que aqui vêm dar milhares de vítimas do que ele conta e denuncia. Destino estranho, o desta obra severa que leva a verdade da terra que descreve, nos confins da Lunda, à verdade dos homens que lá vivem uma história sem história, numa vila morta dentro dum passado perdido.”

O artigo, de 1975, está disponível no sítio da revista Colóquio da Fundação Calouste Gulbenkian .

José Augusto França publicou três outros artigos sobre Castro Soromenho (o primeiro e o último ainda não disponíveis na rede):

a) Terra Morta, romance de Castro Soromenho. Seara Nova, 28 (1131) : 149-51, 10 set. 1949;

b) Na morte de Castro Soromenho. Diário de Lisboa, 4 jul. 1968. Suplemento Literário, no 518;

c) Castro Soromenho nota brevíssima à sua memória. África: Revista do Centro de Estudos Africanos, USP. S. Paulo, 11 (1): 3-4, 1988.

19/09/2011

Letícia Valandro – Cultura e identidade: o cerne da ação e reação imperialista

 “Através da análise de duas obras de autores africanos – A Chaga, do angolano Castro Soromenho e A Última Tragédia, do guineense Abdulai Sila – buscar-se-á identificar a relevância que os elementos culturais do imperialismo português tiveram para sua dominação na África. Em relação oposta a isso, apresentar-se-á, ainda, a cultura como fator relevante para tomada de consciência e reação, bem como essencial para a (re)construção da identidade africana, a qual se torna híbrida, constituída através do entrelaçamento de características culturais do colonizador a elementos da cultura do colonizado.”

O artigo está disponível em pdf  na revista Cadernos do IL, Porto Alegre, n.º 37, dezembro de 2008.

01/07/2011

Wanilda Lima Vidal de Lacerda – As práticas culturais em Os Embaixadores à Corte do Além

Os Embaixadores à Corte do Além foi um dos primeiros contos de Castro Soromenho. Publicado em 1936 em Lendas Negras, foi reeditado em Nhárí, 1938.

Wanilda Lima Vidal de Lacerda, do Centro de Humanidades da Universidade Estadual da Paraíba, discute como o conto “resgata e reflete o modus operandi de uma sociedade, bem como práticas culturais e religiosas ali inseridas”. O trabalho faz parte do livro Griots – Culturas Africanas: linguagem, memória, imaginário, Natal, RN, 2009, que está integralmente disponível em pdf.

03/05/2011

Livia Petry Jahn – A chaga: a representação do negro na obra de Castro Soromenho

“O outro, o diferente, será sempre sob o ponto de vista eurocêntrico, um primitivo, um pagão, um ser humano de segunda categoria. Estabelece-se desta forma a dualidade que irá presidir as relações coloniais, qual seja: o homem europeu e sua cultura versus o homem africano e sua relação com a natureza. Neste embate de cultura X natureza, branco X negro, irá surgir a visão e as ideologias do colonizador.”

O artigo de Livia Petry Jahn está disponível em Pdf no sítio da revista Ipotesi.

06/03/2011

Isabelita Maria Crosariol – O (não) lugar do cipaio no romance Viragem, de Castro Soromenho

“O artigo tem como objetivo analisar a representação do assimilado no romance Viragem, de Castro Soromenho. A personagem escolhida para tal reflexão é o cipaio Tipoia, cuja trajetória de vida – ainda que tenha pouco destaque na narrativa – claramente demonstra o não-lugar que esse polícia negro ocupa na sociedade angolana do início do século XX. Servindo de elo entre brancos e “indígenas”, Tipoia era ao mesmo tempo vítima do sistema colonial, e dele reprodutor. No entanto, é apenas ao perder seu cofió e sua espingarda – símbolos de sua adesão à cultura europeia – que ele percebe que, se não era considerado um indígena, tampouco era percebido como branco. Estava reduzido a nada.”

O artigo está disponível em pdf no sítio da revista Língua & Literatura, cujo volume 12, número 18, 2010,  é dedicado ao estudo das literaturas africanas e da diáspora africana.

22/10/2010

Willfried F. Feuser – Volk Ohne Raum, de Hans Grimm, e Terra Morta, de Castro Soromenho: dois romances europeus sobre a África

“…Para Castro Soromenho o colonialismo é processo de uma gangrena destruindo a terra e seu povo, tornando-a inabitável mesmo para os brancos. Terra Morta é a expressão de uma desiludida mentalidade descolonizada. vinte e cinco anos adiante de sua época, se compararmos a data de sua primeira aparição (1949) com a da revolução portuguesa (1974) que iniciou a emancipação das chamadas províncias de além-mar… ”

O artigo do Prof. Willfried F. Feuser está disponível no sítio da revista Afro-Ásia (ou aqui Feurser, Willfried – Volk Ohne Raum de Hans Grimm e Terra Morta).

04/06/2010

Jurema José de Oliveira – O Estrangeiro em Castro Soromenho

“Viver com o outro, com o estrangeiro, confronta-nos com a possibilidade ou não de ser um outro. Não se trata simplesmente, no sentido humanista, de nossa aptidão em aceitar o outro, mas de estar em seu lugar o que equivale a pensar sobre si e a se fazer outro para si mesmo.3

(…) O objectivo deste trabalho será detectar o lugar dos ‘miúdos’, filhos de mães negras e pais brancos, no romance Terra Morta (1949).”

(3 DELEUZE, Gilles & GUATTARI, Félix. Kafka: por uma literatura menor.)

O artigo está disponível no sítio da União dos Escritores Angolanos (O estrangeiro em CS Jurema José de Oliveira).

16/04/2010

Benjamin Abdala Junior – Terra morta e outras terras: sistemas literários nacionais e o macrossistema literário da língua portuguesa

“Este texto se insere num projeto mais amplo de definir critérios para o comparatismo entre as literaturas de língua portuguesa. É nossa intenção discutir aqui as articulações entre sistema literário nacional e o campo intelectual, colocando como referência sobretudo o romance Terra morta, de Castro Soromenho, tendo em vista mostrar o caráter dinamizador do “campo intelectual” – conceito apropriado a nossa maneira de Pierre Bourdieu – em relação aos sistemas literários nacionais dos países de língua portuguesa.”

O artigo do professor Benjamin Abdala Junior está disponível no sítio da Associação Internacional de Lusitanistas, revista Veredas, número 3, tomo- II, pp. 523-536  (aqui).

14/04/2010

Laura Cavalcante Padilha – Olhares do exílio: a expatriação de negros e brancos na cena colonial africana

“Por plasmar a questão do limite da opressão, o texto de Soromenho vai além dos limites ideológicos da chamada ficção colonial, representando um estágio de consciência crítica que desembocará na ação revolucionária das obras produzidas por angolanos – e não só – no pós- 61. Nele se enfatiza a ruína da casa colonial portuguesa da qual o sonho se despede por completo.”

O texto da professora está disponível no sítio da revista Ipotesi (aqui).

09/04/2010

Cândido Beirante – Camaxilo: A Metáfora do Espaço Infernal em Castro Soromenho

“Ver-se-à que, em qualquer dos dois romances [Terra Morta e A Chaga], Camaxilo assume as características típicas do espaço – fechado, quiça, do espaço concentracionário. Esta novelística do espaço urbano pode ser encarada como a expressão plástica ficcional do espaço prisional, afim do «locus horrendus» clássico. Prisão exterior, segundo todas as aparências, e prisão interior, principalmente, pelas cadeiras que acorrentam a alma das personagens.

A imagem, do espaço concentracionário pode aplicar-se a Camaxilo pelas referências explícitas do discurso do narrador que compara a vila-de-cima a uma praça forte e em que a prisão é um microcosmo paradigmático. O valor adquirido pela prisão de Camaxilo servirá para provar que ao falar-se da metáfora do inferno não se está a fazer uma leitura ousada.

A viagem do leitor desta ficção até Camaxilo – lugar saturado de história nos confins da fronteira nordeste de Angola é uma viagem até ao hades terráqueo ao «huis clos» sartriano.”

O artigo está disponível no sítio da União dos Escritores Angolanos (A metáfora – Cândido Beirante). Cândido Beirante é o autor de Castro Soromenho – um escritor intervalar, dissertação de doutoramento, orientada pelo professor Salvato Trigo, apresentada à Faculdade de Letras da Universidade do Porto e publicada em Lisboa, 1989.

27/03/2010

Fernando Mourão: Roger Bastide e Angola – a Lunda – na obra de Castro Soromenho

“Castro Soromenho escreve uma obra ímpar em Portugal. Não é compreendido. “História de negros”, dizem alguns, habituados que estavam a uma literatura fácil que se alimentava no exótico.

Seus contos e novelas e, mais tarde, seus romances obtêm boa divulgação. Mas poucos, muito poucos, entendem a obra. Foi necessário entrar na segunda fase, que Roger Bastide intitula, em conjunto com a primeira, Duas Águas, título sugestivo emprestado do poeta brasileiro João Cabral de Mello Neto, para que a crítica portuguesa entendesse que não se trata de “história de negros”, mas sim de um vasto e longo plano literário que mostrava a África com suas forças próprias e sua individualidade.” (Fernando Augusto de Albuquerque Mourão)

O clássico artigo do Prof. Fernando Mourão pode ser encontrado no sítio da revista Afro-Ásia  (ou aqui Bastide A Lunda na obra de Castro Soromenho).

16/02/2010

Maria da Glória de Brito: A desagregação da sociedade africana no romance Viragem

“O narrador ressalta a situação dramática vivida pelos auxiliares administrativos negros, desintegrados das suas comunidades, e inseridos num sistema precário, sujeito às arbitrariedades dos responsáveis hierárquicos. Se falham nas missões que lhes são incumbidas, são castigados e despidos das fardas e insígnias. Mas, nas suas tribos já não são aceites. Despojados da sua identidade, das suas raízes e das famílias (no sentido africano do termo) e rejeitados pelo sistema que alimentou a sua desinserção, eles ficam reduzidos a uma vida marginal, sem lugar na nova configuração política e social criada pela ocupação portuguesa.”

O artigo de Maria da Glória de Brito está disponível no sítio revues plurielles.

10/09/2009

O lugar de Terra Morta na visão de alguns críticos

Em 1949, foi publicada no Rio de Janeiro a primeira edição de Terra Morta. O romance inaugurou a Coleção Gaivota da Casa do Estudante do Brasil, editora dirigida por Arquimedes de Melo Neto. Terra Morta é considerado o primeiro livro da “trilogia de Camaxilo” que constitui a segunda fase da obra de Castro Soromenho.

A história passa-se na decadente povoação de Camaxilo (Angola), que fora o centro comercial mais importante da Lunda, no período da borracha, e palco da revolta do soba Caungula e da sangrenta repressão que se seguiu. A colonização portuguesa agoniza. Restam poucos comerciantes e funcionários administrativos, cuja principal função é recrutar a mão-de-obra negra para os trabalhos forçados nas minas de diamante e na própria administração colonial. Mas se esses portugueses são os instrumentos da opressão, todos, negros, mestiços e brancos, são vítimas do sistema colonial. Roger Bastide capta o espírito do romance, que transcende maniqueísmos: “[d]as páginas de Terra Morta ou de Viragem [o segundo livro da trilogia] exala-se um odor de urina, de excrementos, de suor azedo e de vómitos (…) é o negro que perdeu os seus deuses e que se debate no vácuo, é o branco que perdeu o contacto com a sua sociedade e a sua civilização e se afunda lentamente não sei em que pântano, em que lhe falta até a coragem para se debater, para lançar ao menos um grito de apelo” [1].Terra Morta - primeira edição

Escrito numa época em que na literatura dita colonial predominava, sob os auspícios do Estado Novo Salazarista, a exaltação da “missão civilizadora”, o livro, que já estava praticamente pronto na primeira metade da década de quarenta, não pôde ser publicado em Portugal, pois, como nos diz Cândido Beirante: “Terra Morta é uma pedrada no charco do nacional-exotismo africanista. Mostra a outra face, até então oculta do público soromenho, da colonização portuguesa que, pela forçosa aculturação, destruiu a autenticidade da cultura das primitivas sociedades bantas” [2].

Terra Morta pertence tanto à literatura angolana quando à portuguesa. Do ponto de vista da primeira, é considerado um romance fundamental, que viria a influenciar profundamente os novos autores angolanos, que lutaram pela independência, como se pode constatar a partir das considerações do poeta Costa Andrade (Ndunduma wé Lépi), entre outros: “Soromenho escrevendo em português climatiza, ideologiza e universaliza o choque que gerou a angolanidade. Hoje, o mais idoso dos nossos escritores, Soromenho, revela-se novo e atual, mesmo após a forçada e longa ausência de uma vida de exílio. Em Soromenho, o escritor e o homem confundem-se numa coerência exemplar, de que a angolanidade se orgulha” [3]. Rita Chaves, a seu turno, considera as obras de Assis Jr., Castro Soromenho, Oscar Ribas e Luandino Vieira como constituintes do romance angolano [4] e Pires Laranjeira fala-nos de um lugar cativo de Soromenho na literatura angolana [5].

Na literatura portuguesa, a posição de Terra Morta é singular. Em 1949, Adolfo Casais Monteiro considerou que a obra iria renovar o neo-realismo. Na opinião do poeta e crítico português, faltava ao neo-realismo lusitano uma verdadeira “necessidade” que permitisse superar o romance de tese: “[o] mundo, qualquer mundo, está cheio de dramas reais; mas é preciso conhecê-los; mais do que isso é preciso ser-se capaz de, conhecendo-os, os penetrar, mergulhar para além da aparência, achar os fundamentos verdadeiros de cada vida que se pretende tornar real aos olhos do leitor” [6].  Sem deixar de reconhecer que se tratava de um romance da chamada “literatura colonial”, Casais Monteiro atribuía-lhe uma estatura universal: “… estamos bem longe da literatura de propaganda, pró ou contra, para a qual só há anjos e demônios. Não; livros dêstes só se escrevem com um profundo amor pelo homem: êsse quadro não seria de tão pungente verdade, se não surgisse da impressionante realidade das personagens em que Castro Soromenho encarnou o drama vivido ao longo das páginas do seu romance; por isso êle ficará como uma das obras mais significativas do nosso tempo” [7].

Opinião muito semelhante foi expressa por Roger Bastide no prefácio à tradução francesa da obra (Camaxilo, 1956) [8]. Para o sociólogo francês, o neo-realismo seria uma reação à “arte pela arte”, a um subjetivismo exagerado que predominaria na literatura portuguesa do começo do século. Fazia-se necessário refletir sobre as realidades sociais. No entanto, “como o diz com precisão André Gide, “não se faz literatura com bons sentimentos”. O desejo de aproximar a arte do povo levava a um certo relaxamento da forma, a um desprezo injustificado pelos valores estéticos. O neo-realismo hesitava assim entre o romance de tese, geralmente a tese marxista, e o sentimentalismo. Ele “demonstrava” ao invés de “mostrar” ” [9].

Ora, Terra Morta permitiu, na opinião de Bastide em 1956, que neo-realismo português saísse desse impasse. Ao rejeitar o maniqueísmo e dar vida aos seus personagens (ao invés de apresentá-los como meras personificações de relações sociais, poderíamos acrescentar), Castro Soromenho teria feito a “passagem da demonstração à descrição objetiva dos meios sociais. Passagem de um sentimentalismo de encomenda ao amor pudico dos homens. A procura de um estilo, e não o desprezo pela forma. Tais são as qualidades que fazem do livro que se vai ler uma data na história do neo-realismo português” [10].

Em 1961, a editora Arcádia tentou publicar Terra Morta em Portugal, mas o livro foi logo proibido. Em 1968, Castro Soromenho morre no exílio, em São Paulo, Brasil. Somente após o 25 de abril, o público português teve acesso pleno à obra, editada pela Sá da Costa. O livro figura, então, entre os mais vendidos (segundo as listas do Diário de Notícias e Diário Popular) e, das várias apreciações que surgem sobre a obra, cabe destacar a de José-Augusto França, que já havia escrito sobre Terra Morta um artigo em 1949 [11].

França nos diz que se trata de “um livro de há trinta anos que não envelheceu”. Recorda o seu próprio artigo de 49 sobre obra e o prefácio de Roger Bastiste a Camaxilo, destacando a expectativa desse autor de que o livro influenciaria o neo-realismo português. E acrescenta: “Assim é, na verdade, na história literária dos anos 40; mas seria optimismo demasiado adoptar, agora, a visão optimista do sociologo francês. Castro Soromenho ficou isolado na sua diligência literária, figura marginalizada duma “escola” que tinha outras obediências locais. E se (como afirma R. Bastide) “a literatura colonial, existindo há já meio século, nada tinha produzido de comparável a Terra Morta”, este romance, vítima em circunstâncias adversas, do próprio regime político do País e do seu contrário, foi praticamente ignorado em Portugal” [12].

A literatura portuguesa, como se sabe, seguiria outros rumos, aproximando-se do existencialismo e de outras correntes modernas. O próprio país voltar-se-ia para a Europa, ficando para trás o seu passado colonial.

Em 1988, a revista África, do Centro de Estudos Africanos da Universidade de São Paulo, praticamente destinou um número a trabalhos sobre a obra e vida de Castro Soromenho. O primeiro artigo foi uma nota à memória do autor de Terra Morta escrita por José-Augusto França. O autor recorda-nos que Castro Soromenho representa um caso único na literatura portuguesa “em sua temática africana, pelo valor romanesco e pela situação ideológica de sua obra. Assim diria, como diz, qualquer história da literatura.” [13]. França reafirma, desse modo, o ponto de vista sobre o lugar da obra de Castro Soromenho na literatura de Portugal que já havia apresentado no artigo de 1976. Porém, não é mais a relação de Castro Soromenho com o neo-realismo lusitano que lhe chama a atenção, mas sim a importância da obra para a compreensão (aquela compreensão que só a arte proporciona) da identidade histórica e cultural do português. França assinala os dois mundos discutidos na obra soromenha, os viveres do nativo e do colonizador, que se entrelaçam e se repelem “na danada incompreensão da história alheia”. Diz-nos que Soromenho entendeu o homem negro do seu tempo e, “melhor do que ninguém”, o destino triste dos brancos na colônia. E conclui: “(…) toda a história que queira compreender-se, da presença sonambúlica, sórdida tantas vezes, e ingênua, dramática sempre, dos portugueses nas vastas terras negras em que viveram, tem de passar pelo que Soromenho conta em meias palavras, avaro de vozes, calando pensamentos – na simples realidade cotidiana que a natureza ordena, e a desgraça lentamente habita” [14].

 

[1] Bastide, R. L´Afrique dans l´œuvre de Castro Soromenho, tradução de Mario Pinto de Andrade, incluído em Histórias da Terra Negra, de Castro Soromenho, p. XXV.

[2] Beirante, Cândido, Castro Soromenho – Um Escritor Intervalar, Lisboa, 1989, p. 92.

[3] Costa Andrade, Literatura Angolana (Opiniões), Lisboa, Edições 70, 1980, p. 56. Citado por Cândido Beirante, p. 94.

[4] Chaves, Rita. A Formação do Romance Angolano: Entre Intenções e Gestos. São Paulo, Via Atlântica / Fundo Bibliográfico de Língua Portuguesa, 1999.

[5] Laranjeira, Pires. Questões da formação das literaturas de língua portuguesa. Revista Colóquio/Letras. Ensaio, n.º 110/111, Jul. 1989, p. 66-73.

[6] Casais Monteiro, A. O Romance – Teoria e Crítica, José Olympio, 1964, p. 394.

[7] Idem, p. 396.

[8] Segundo Fernando Mourão, foi Mario Pinto de Andrade que apresentou a literatura africana de expressão portuguesa (e, posteriormente, o próprio Castro Soromenho) a Roger Bastide. Ver MOURÃO, Fernando Augusto Albuquerque. Roger Bastide e Angola: a Lunda na obra de Castro Soromenho. Afro-Ásia, Salvador, no 12:141-4, 1976.

[9] Bastide, R. Préface. In Soromenho, F. M. C. Camaxilo. Paris, Présence Africane, 1956, p. 10.

[10] Idem, p. 11.

[11] FRANÇA, José Augusto. Terra morta, romance de Castro Soromenho. Seara Nova, 28 (1131): 149-51, 10 set. 1949.

[12] FRANÇA, José Augusto. “Terra Morta”, de Castro Soromenho, Edição e Reedição. Colóquio-Letras (Fundação Calouste Gulbenkian). Lisboa, n. 31 84-5, 1976, p. 85.

[13] FRANÇA, José Augusto. Castro Soromenho – Nota Brevíssima à sua Memória. África. Revista do Centro de Estudos Africanos, Universidade de São Paulo, 11, p. 3-4, 1988.

[14] Idem, p. 4.

Terra Morta foi publicado no Brasil, França, Tchecoslováquia, Portugal, Angola, Rússia, Hungria, Suécia, Cuba, Polônia, Holanda, Alemanha e Inglaterra, e adaptado para o teatro (Rádio e Televisão Francesa).

Atualmente, duas edições estão no mercado: na Grã-Bretanha (Dying Land. Translated with an Introduction by Annella McDermott. 2006. Saagull/Faoileán.); e em Portugal (Terra Morta. Lisboa. Edições Cotovia, outubro de 2008, Biblioteca dos editores independentes. Edição de bolso.).

Trechos:

“A luz amarela do candeeiro de petróleo espalhava-se sobre o pano de ramagens que cobria a mesa. A cara dos homens estava na meia sombra, por cima do quebra luz. Eram quatro à volta da mesa. Estavam calados, com a atenção concentrada nas cartas de jogo que um deles, de costas voltadas para a porta que dava para a estrada, talhava com gestos vagarosos, aparentando serenidade. Mas era tão visível o esforço que fazia para se mostrar sereno que os companheiros trocaram rápidos olhares.”

…………………………………………………………………………………………..

“O sol caía a prumo nas costas dos negros, homens e mulheres, dobrados pela cintura, cava que cava, com as enxadas de dois cabos curtos, abrindo uma picada através do capinzal. Os braços cansados começavam a dar pouco rendimento e as bocas secas e sujas de poeira pediam água. De vez em quanto, aqui e ali, os mais fracos endireitavam o dorso deitavam as mãos aos rins doridos, fazendo caretas. Mas, logo, os gritos dos capitas os atiravam para a frente, partidos pelo meio, e as enxadas subiam e desciam, a rebrilharem ao sol.”

……………………………………………………………………………………………

“Um cão atravessou a rua a correr atrás de uma galinha. A negra velha do colono gritou-lhe e ele fugiu para o mato. Flávia sorriu-se para a negra e fechou as portas da loja. Depois, foi buscar o pai e levou-o para dentro de casa, porque começava a arrefecer.

A sombra da noite subia do vale para a terra morta de Camaxilo. O velho Bernardo acendeu o cachimbo e fumou-o de olhos fechados.”

26/08/2009

Carlos Peicy – O romance Viragem

Carlos Peicy, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, escreve sobre o romance Viragem de Castro Soromenho na revista África e Africanidades. O artigo, intitulado O Romance Viragem e a Desmistificação da Propaganda de África do Estado Novo Português, discute “a construção da imagem de África” e da colonização portuguesa no segundo romance da trilogia de Camaxilo (ou aqui Carlos Peicy).

A revista África e Africanidades é um periódico online, trimestral e de acesso gratuito publicado no Brasil. Ela trata de temas africanos, afro-brasileiros e afro-latinos. A proposta editorial é muito interessante, pois a revista não se limita a trabalhos acadêmicos; ela incorpora, igualmente, material destinado a alunos e professores da educação básica, além de colunas que tratam de temas como direito, finanças, comportamento, etc.

01/07/2009

António Faria – Companheiro de Caminho: Castro Soromenho.

O cineasta António Faria relata aspectos da vida de Castro Soromenho em belo artigo publicado na revista LATITUDES (número 27, setembro de 2006). Faria, que adaptou para o cinema o livro Os Flagelados do Vento Leste, de Manuel Lopes, conviveu com Castro Soromenho em Paris, na época do exílio do escritor no início dos anos sessenta. O cineasta recorda igualmente a figura marcante de Câmara Pires, verdadeiro “embaixador dos movimentos de libertação” dos povos africanos.

O artigo está disponível em pdf no sítio revues plurielles.

 

Trechos: “Sentados naquela cama, na casa super-aquecida do embaixador Câmara Pires, na rua Hippolyte Maindron, disse-lhe uma tarde que queria realizar um filme a partir do seu romance Viragem, a sua melhor obra, mas só o podia realizar quando eu tivesse quarenta anos. Ele fitou o gaiato perante essa mirabolante explicação, assim tão prontamente calendarizada. De facto!

“É um romance de grande maturidade. Quero ter maturidade para o poder realizar”, expliquei eu com a maior convicção. Castro Soromenho escondeu o riso, passou a mão condescendente pela rala cabeleira branca e assentiu enfim com um monossílabo.”

“Numa carta a Manuel Lima, publicada por este, datada do Havre, 16 de Junho de 1965, quando estava de partida para a América do Sul, escreveu: ‘[…] a vida de exilado, paredes meias com a miséria, não me desmoralizam, nada de horizontes negros, mas deu-me uma lucidez por vezes tão fria que me faz mal aos nervos… Por tudo e por nada a análise impõe-se-me. Os homens e a vida reduzidos aos seus verdadeiros limites, eis o que me dá este estado de lucidez. Um homem só face aos homens e à vida. Ela mesmo a ver-se por dentro até às profundidades do seu ser… E ver o que a vida faz dos homens. Assim compreendo-os melhor, mais do que nunca, sou seu companheiro’.”

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